Sabia que já na década de 1960 a Física defendia a participação feminina no panorama desportivo? Os boletins publicados pela associação revelam essa preocupação, incentivando a presença das raparigas nas actividades gimnodesportivas e apelando à inscrição de senhoras nas classes de ginástica, receando o desaparecimento das mesmas (Silva e Rodrigues, 2012). Este posicionamento reflecte a própria génese da colectividade. Nascida de uma forte preocupação humanista, a de proporcionar à comunidade um espaço para a prática da ginástica e do exercício físico, a associação revelou desde cedo uma sensibilidade social que ainda hoje caracteriza a sua identidade.
Ao longo da sua história já centenária, muitas foram as mulheres que marcaram esta casa. Entre elas contam-se algumas das primeiras atletas internacionais, como Maria João Rocha, Carla Umbelino, Fátima Santos e Tânia Andrade Santos, bem como treinadoras e técnicas, como Eduarda Miguel ou Dália Sammer. Também nas instâncias institucionais a presença feminina começou a afirmar-se: Judite Duarte foi, em 1991, a primeira mulher a integrar uma Direcção, como Secretária-Geral. Actualmente, a Direcção conta igualmente com a presença de duas mulheres: Dina Almeida e Dina Godinho. A participação feminina fez-se sentir nas várias modalidades da Física, ainda que com maior expressão nalgumas face a outras, como é o caso do hóquei em patins, onde essa presença foi historicamente mais reduzida.
De 18 atletas em 1926 para cerca de 1000 hoje. Um século de presença feminina na Física. Ao assinalar o Dia Internacional da Mulher, recordamos todas aquelas que, à sua maneira, abriram caminho para que outras pudessem seguir. Atletas, treinadoras, dirigentes, sócias e mães de ontem, de hoje e de amanhã; porque a Física sempre foi, e continuará a ser, uma casa de todos/as para todos/as.
As mulheres e meninas de hoje continuarão a escrever as próximas páginas da história da Física.